A Caminho de Kandahar

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Nafas (Niloufar Pazira) é uma jornalista afegã que vive e trabalha como refugiada no Canadá. Ela recebe uma carta de sua irmã menor que ficou no Afeganistão, avisando que decidiu se suicidar antes do próximo eclipse solar. A irmã menor foi mutilada com uma “boneca minada” (*) e perdeu as duas pernas. Nafas decide fazer o caminho de volta e entrar em Kandahar sem ser notada, atravessando a fronteira entre o Irã e o Afeganistão para tentar salvar sua irmã.

Num país dominado desde 1996 pelo Taleban (baseado no fundamentalismo islâmico), as mulheres não possuem direito algum. São obrigadas a usarem a burka (véu escuro que as cobre da cabeça aos pés) e nem mesmo podem receber socorro médico sozinhas.

Este drama/documentário/ficção foi roteirizado, dirigido e editado pelo cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf e surgiu a partir de uma história real vivida por ele. Definido pelo próprio diretor como ‘uma versão ficcionalizada da história’, Makhmalbaf, diz que ela é incompleta: “Se eu mostrasse toda a tristeza que vi, ninguém acreditaria.”

Interpretado em sua maioria por amadores e realizado em locações autênticas (provavelmente correndo riscos), o filme nos dá de forma poética um testemunho chocante. Se não chega a ser uma obra-prima do cinema, até pela precariedade com que foi feito, a denúncia não poderia ser mais justa e  oportuna.

Safar E Gandehar (título original) foi filmado entre 2000 e lançado em 2001, e Makhmalbaf passou a ser considerado um visionário, depois do ataque às torres gêmeas de Nova York, em 11 de setembro. Todos queriam assistir ao filme que mostrava ao mundo o terror que o Taleban impunha a seu próprio povo, principalmente às mulheres.

Destaque para a excelente atriz Niloufar Pazira, e para sua personagem Nafas, que em afegão significa “respiração”. Conquistou o Prêmio Ecumênico do Júri no Festival de Cannes. A Caminho de Kandahar é um filme forte, eloquente e necessário. Drama, 85 min. Baixe esse filme.
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Trailer não legendado:

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(*) “Bonecas minadas” são bonecas de brinquedo recheadas com uma mina terrestre espalhadas pelo território afegão. São milhares as meninas mutiladas em braços e pernas que, na ânsia de algum divertimento, pegam as tais bonecas para brincar.
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