Menina de Ouro

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Por Maurício Alves
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Maggie Fitzgerald (Hillary Swank) é uma mulher de trinta e um anos que procura um treinador que a ajude a cumprir o seu sonho de infância: ser pugilista profissional. Influenciado pelo seu amigo Scrap (Morgan Freeman), um velho pugilista, Frankie Dunn (Clint Eastwood) um treinador extremamente rigoroso aceita treiná-la. A relação entre ambos, que começa por ser de desconfiança, torna-se cada vez mais próxima. De combate em combate, o treinador vai descobrindo a enorme força de vontade da sua pupila. E esta, vai descobrindo que, por baixo da dureza de Frankie, existe um homem magoado com a vida.
Claramente inspirado no filmes de John Ford, apresenta situações nas quais Frankie é mostrado como o velho boxeador com um passado oculto, que o torna, ao mesmo tempo, amargo e com uma crença inabalável na força de valores que são sintetizados na tela pela perseverança de Maggie, personagem de Hillary, que não desiste de seus ideais por mais que seja desestimulada pelo próprio Frankie no início do filme.
Essa luta contra os obstáculos que a separam da realização de seu sonho, além de ser o fio condutor da história de Maggie, que é contada em off pelo personagem Scrap, magistralmente interpretado por Morgan Freeman, cumpre também a função de traçar um paralelo entre os três personagens principais. Deste modo, somos apresentados a Frankie Dunn, um homem em constante conflito com o passado, por meio das cartas que escreve à sua filha, sempre devolvidas ao remetente e cuidadosamente guardadas em uma velha caixa de sapatos. Assim como o personagem de Clint, Maggie também possui um passado perdido. O pai faleceu, restando-lhe a mãe e a irmã. O filme, ao modo dos clássicos de Ford, se desenrola em torno da luta pela superação vivida por todos os personagens principais.
Com o desenrolar do filme, somos levados a torcer por Maggie, por sua ascensão na carreira, narrada com cenas de várias lutas nas quais o conflito e a proximidade entre os personagens vão sendo mostrados num crescente que conduz de forma brilhante o espectador ao surpreendente desfecho. Em uma sequência narrada de forma extremamente crua, aprendemos aquilo que é descrito por Scrap em uma frase: “No boxe tudo acontece ao contrário.”
Em sua primeira luta internacional, Maggie recebe do treinador um robe no qual se lê um nome: «Mo Cuishle». O significado da expressão, como o espectador é levado a saber, é família. Sangue do meu sangue. Escrito em gaélico, língua antiga dos celtas, dos irlandeses, que tinham a família como valor primordial. Mas isso só é revelado na hora final por Frankie a Maggie, pelo «pai» à «filha». Um final que se situa entre os mais belos e amargos da história do cinema.
Million Dollar Baby (título original) de 2004, ganhou o Oscar de Melhor Filme, Diretor para Clint Eastwood, Atriz para Hilary Swank, Ator Coadjuvante para Morgan Freeman e ainda Globo de Ouro de Melhor Diretor e Atriz. Venceu também como Melhor Filme Estrangeiro no César (França), David di Donatello (Itália) e Academia Japonesa de Cinema entre muitos outros prêmios e indicações. Mereceu todos. Drama, 137 min. Baixe esse filme.
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