Sobre Meninos e Lobos

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Por Gustavo Catão
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O título assusta. “Sobre Meninos e Lobos” soa, a príncipio, como algum filme cult de algum consagrado diretor estrangeiro e que, por alguma bagunça da distribuidora, foi parar no circuito principal. Mas “Mystic River” (que quer dizer “rio místico”, e é um nome dado a um rio na cidade americana de Boston) é mais um filme em que Clint Eastwood resolveu ir para trás das câmeras, desta vez para provar que também é capaz de um filme policial sério, sem apelar para a violência, o tiroteio, ou cenas chocantes.
A história, baseada em um livro de Dennis Lehane, fala de três amigos de infância, criados na cidade de Boston, e que passam por um drama que muda suas vidas. Um dos garotos é sequestrado por um homem fingindo ser policial e é levado para o meio do mato, onde o homem e mais um segundo abusam do garoto por vários dias. Isso acontece logo nos primeiros minutos do filme, e as evidências de que o segundo homem faz parte do clero da Igreja Católica incomodam algumas pessoas (pessoalmente eu acho que isso foi apenas uma maneira de explicitar o que ia acontecer ao garoto, em vista os escândalos de abusos sexuais dentro da Igreja Católica nos EUA, que os americanos, Protestantes em sua maioria, gostam tanto de lembrar, rotulando prontamente a Igreja Católica como um lar de pervertidos).
Mas, assim como eu, o filme deixa essa discussão de lado e pula muitos anos na história dos três amigos, para uma época em que eles são trabalhadores e pais de família. Os três perderam o contato e se consideram apenas conhecidos até que uma tragédia os reúne novamente. A filha mais velha de Jimmy (Sean Penn) é assassinada e o detetive que acaba assumindo o caso é o amigo Sean (Kevin Bacon). Porém, na mesma noite do assassinato, Dave (Tim Robbins), o que havia sido molestado, volta para casa sujo com o sangue de outra pessoa, após ter se encontrado com a filha do amigo em um bar. Ele diz à sua mulher que foi assaltado, mas seu álibi muda a cada momento do filme, levantando fortes suspeitas sobre ele. Os três amigos então acabam se aproximando novamente, à medida que Jimmy tenta lidar com sua perda, Dave tenta consolar o amigo, e Sean procura pelo culpado. Os dias passam e a falta de suspeitos leva Jimmy, ex-presidiário e amigo de alguns tipos “suspeitos” do bairro, a procurar justiça com as próprias mãos. Ele conduz uma investigação paralela, questionando os que viram sua filha por último, ajudado por seus amigos criminosos. Sean tenta impedir o amigo, mas a falta de provas, aliada a seus problemas pessoais e a sua relação com a vítima, atrapalham o andamento do caso. Muitas vezes ele questiona suas investigações e entra em conflito com as idéias de seu parceiro Whitey (Laurence Fishburne). Mas Dave também tem seus problemas. A presença de seus amigos o leva de volta ao abuso sofrido quando criança, e ele começa a apresentar um comportamento estranho, levantando a suspeita de todos. A história então se desenrola em direção a um final sóbrio e realista, sem grandes lições de moral.
“Sobre Meninos e Lobos” foi eleito pela National Board of Review of Motion Pictures (a associação críticos americana) como melhor filme de 2003. Também pudera, além do nome de Clint Eastwood, o filme conta com estrelas como Sean Penn, Kevin Bacon e Tim Robbins, em excelentíssimas atuações. Sean Penn se destaca dos outros dois no papel do pai desconsolado. Ele alterna momentos de raiva e sofrimento em um dos melhores papéis de sua carreira. Robbins enfrenta a responsabilidade de interpretar um homem perturbado. Convence mas não surpreende, mas em vista do peso do papel, está muito bem. Kevin Bacon tem o personagem mais clichê dos três, o do detetive de polícia americano. Também está bem, mas não faz nada demais, assim como Fishburne, que se mantém humildemente no papel de coadjuvante. As esposas dos personagens, interpretadas por Laura Linney (mulher de Jimmy) e Marcia Gay Harden (mulher de Dave), também ficam ali, meio à margem do filme. A mulher de Sean aparece dois minutos no filme.
“Sobre Meninos e Lobos” é muito bom por se tratar de um drama sério, com personagens profundos e verossímeis. Os acontecimentos são mostrados sem frieza, cabendo aos personagens transmitir o drama envolvido. Apesar da leve falha na trilha sonora, composta pelo próprio Eastwood, e que algumas vezes destoa do filme, esse é um excelente drama, que com certeza vale a pena ser assistido. Drama/Policial, 137 min. Baixe esse filme.
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