O Escafandro e a Borboleta

Em 1995, Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric), então com 43 anos, é editor da revista francesa Elle e um homem apaixonado pela vida. Num passeio de carro com um dos filhos sofre um derrame cerebral e entra em coma por vinte dias. Quando acorda está completamente lúcido, mas sofre de uma rara paralisia chamada Sindrome Locked-In, que prende o paciente dentro do próprio corpo. O único movimento que lhe resta é o do olho esquerdo. Ele aprende a se comunicar piscando o olho ao ouvir as letras do alfabeto até formar palavras, frases, páginas inteiras. Cria um mundo próprio com o que lhe resta: a imaginação, suas memórias e a ajuda da fonoaudióloga Henriette Durand (Marie-Josée Croze). É assim que ele escreve o livro “Le Scaphandre et le Papillon” que originou este filme. Toda manhã, durante semanas, decorava as páginas antes de ditá-las, depois de tê-las corrigido mentalmente durante a noite.
O filme, assim como o livro de memórias de Jean-Do Bauby, é na primeira pessoa, uma pessoa que só consegue mexer uma pálpebra e mostra o mundo a partir da sua limitada visão.
O diretor americano Julian Schnabel (Basquiat e Antes do Anoitecer) dá uma aula de comunicação no cinema e surpreende em todos os sentidos. Para isso conta com o auxílio luxuoso no roteiro, que é uma adaptação fiel da obra original, de Ronald Harwood (O pianista). E a fotografia esplendorosa, que beira a perfeição, é de Janusz Kaminski (parceiro de confiança de Steven Spielberg desde a Lista de Schindler), que consegue reinventar a fotografia por meios experimentais e sensoriais e assume (e nos dá) o ponto de vista do personagem. A trilha sonora é uma emoção à parte.
O Escafandro e a Borboleta, filme de 2007, ganhou os prêmios de Melhor Diretor para Julian Schnabel e o Grande Prêmio Técnico no Festival de Cannes, Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e também Melhor Diretor e ainda o BAFTA de Melhor Roteiro Adaptado. Recebeu mais quatro indicações ao Oscar, sete indicações ao César e quatro indicações para o Independent Spirit Awards.
A metáfora é perfeita: como sentir-se preso dentro do seu claustrofóbico escafandro e a capacidade de se exprimir mexendo as pálpebras, como o bater das asas de uma borboleta. Tão denso quanto especial.
Drama, 112 min. Baixe esse filme.
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Escafandro é uma vestimenta hermeticamente fechada e provida de um aparelho respiratório, que permite trabalhar debaixo d’água.
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