Paris, Texas

A história começa com Travis (Harry Dean Stanton) caminhando, desmemoriado e exausto, sob o sol inclemente do deserto texano. Ao entrar em um bar, desmaia e a partir de seus documentos, o irmão Walt (Dean Stockwell) é avisado. A notícia é impactante, pois Travis estava desaparecido havia quatro anos. Após sofrer com o doloroso divórcio da mulher Jane (Natassja Kinski), Travis sumiu de casa, deixando com o irmão seu filho pequeno Alex (Hunter Carson). Walt, que mora em Los Angeles com a esposa Anne (Aurore Clément), viaja até o Texas para ir buscar o irmão que se tornou um andarilho solitário e silencioso, que não lembra do passado, do irmão e menos ainda do filho. A única lembrança de Travis é diante da foto de um terreno da pequena Paris (cidade texana do Condado de Lamar), onde seus pais teriam feito amor pela primeira vez. Ele se refere ao local dizendo ao irmão: “Foi ali que eu comecei”.
O roteiro enfoca a traumática readaptação de Travis à civilização, mostrando seus esforços para recuperar a família e encontrar junto com o filho, a mulher que também está sumida.
O filme é grande em tudo: na história densa e misteriosa baseada no livro de Sam Shepard, que também assina o roteiro; na fotografia excelente, luminosa de Robby Müller, que transmite a sensação de solidão do protagonista; na música áspera, melancólica de Ry Cooder, uma das mais belas trilhas sonoras do cinema; e na interpretação segura e emocionante de todo o elenco.
Wim Wenders se supera na direção desse filme, e expõe de maneira mais evidente a sua paixão pela sétima arte e pela cultura americana e consegue juntar a isso, habilmente, o fascínio por histórias intimistas a respeito da solidão, da incomunicabilidade e do silêncio.
Paris, Texas (1984) é o filme mais bem sucedido comercialmente do cineasta alemão, obtendo também a quase unanimidade da crítica. Ganhou a Palma de Ouro, Prêmio Ecumênico do Júri e o Prêmio FIPRESCI no Festival de Cannes, Prêmio Bodil de Melhor Filme Europeu, BAFTA de Melhor Diretor, além do Grande Prêmio da Crítica Cinematográfica Francesa e do Prêmio da Academia Britânica entre outras muitas indicações.
Clássico. Um dos mais belos filmes que já tive a oportunidade de assistir e, de gorjeta, ainda nos dá um final emocionante e, talvez, o mais belo abraço da história do cinema. Drama, 146 minBaixe esse filme.
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