A Desconhecida

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Irina (Ksenia Rappoport) é uma prostituta ucraniana em fuga de seu cafetão Muffa (Michele Placido) para o interior da Itália. Ela sofreu todo tipo de abuso e violência, e enquanto sua história é revelada em rápidos flashbacks a conta-gotas, a vimos preparando uma espécie de emboscada. Irina aluga um apartamento na cidade italiana de Velarchi, de onde pode observar a movimentação do casal de ouríveres Valeria (Claudia Gerini) e Donato (Pierfrancesco Favino) e sua pequena filha, Thea (Clara Dossena). Essa mulher meio resignada, triste e escura como as roupas que usa, ganha a confiança do casal observado e se torna a empregada doméstica deles, e seu mistério e objetivos são revelados como um quebra-cabeça, cuja peça final só se encaixa no final da trama. Algumas boas pistas falsas contribuem para aumentar a curiosidade e prender a atenção.
Esse filme com ares de triller policial é do cineasta Giuseppe Tornatore, que escreve o roteiro além de dirigi-lo. A trama é extremamente complicada e teria caído no melodrama não fosse seu ineditismo e o brilhante “mise-en-scène” do diretor, que se vale da trilha de Ennio Morricone para dar o tom de suspense à narrativa.
A atriz russa Kseniya Rappoport, em sua primeira atuação internacional, dá um show interpretando uma personagem que poderia ser duas. A menina Tea (Clara Dossena), carismática e comovente como todos os personagens infantis de Tornatore, é responsável pelos momentos suaves da história.
La Sconosciuta (título original) venceu cinco prêmios do David di Donatello, o oscar italiano: Melhor Filme, Direção, Atriz e Trilha Sonora, ganhou também o prêmio de público no European Film Awards e Melhor Filme no Festival de Moscou. Foi indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro em 2008.
Apesar do filme abordar assuntos pesados como prostituição, tortura e tráfico de mulheres, Tornatore diz não acreditar em cinema de denúncia: “Não é mais preciso o cinema para se fazer denúncia social. Hoje a notícia circula tão rápido nos jornais e na televisão que o cinema não revela mais nada. Eu quis contar o drama de uma mulher, seja quem ela fosse”, afirmou o diretor, que não filmava há sete anos. É um filme denso, instigante e intrigante, e de extrema qualidade e cuidado. Beira à perfeição. Drama/Suspense, 118 min. Baixe esse filme.
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Mise-en-Scène: Palavra francesa adotada no meio cinematográfico em todo mundo ocidental. Termo originário do teatro clássico francês, refere-se à movimentação e posicionamento dos personagens no espaço cênico ou no set de filmagens. A terminologia também é usada como realização ou direção de toda uma produção cinematográfica.
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