O Círculo

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Uma enfermeira anuncia a uma senhora que ela acaba de se tornar avó de uma menina perfeitamente saudável. A notícia é recebida com desespero, ela treme, indaga vezes seguidas se não é um menino. Nas ruas de Teerã, onde mulheres não podem estar sozinhas nem fumar em público, duas ex-presidiárias caminham preocupadas, não fica claro se fugiram ou foram libertadas e nem o motivo pelo qual foram presas. Enquanto isso, uma fugitiva da prisão é escorraçada pelos irmãos por estar grávida.

Empenhada em conseguir fazer um aborto, ela procura uma amiga enfermeira que está casada e que entra em pânico ao imaginar que seu marido possa descobrir que ela já esteve presa. Outra mulher, prostituta, é uma observadora atenta da vida e do sistema que a envolve, e ao ser presa na rua olha fixamente uma noiva que passa numa caravana nupcial. Uma outra mulher está tentando abandonar a filha pequena nas ruas, provavelmente tenha sido vítima da mesma injustiça destinada à parturiente da primeira cena – o divórcio compulsório por não ter gerado um varão.

Dayereh (título original) é um jogo de histórias cruzadas que vai arquitetando um retrato tão sutil quanto revelador do papel das mulheres na sociedade iraniana. O terceiro longa do diretor Jafar Panahi, que também o editou e produziu, é um exercício narrativo dos mais criativos que ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza e que até bem pouco tempo estava proibido no Irã.

Em seus dois filmes anteriores, O Balão Branco e O Espelho, Panahi tinha como protagonistas meninas pequenas e muito determinadas, e O Círculo parece ser a trajetória daquelas meninas quando adultas. É uma inteligente e contundente denúncia contra o cotidiano de proibições e pavor da mulher islâmica, sem ser panfletário ou grosseiramente simbólico, o que só amplia a sua intensidade humana. Um filme muito diferente do cinema ocidental. Tocante e inquietante. Drama, 90 min. Baixe esse filme.
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Trailer não legendado:

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One response to “O Círculo”

  1. victor0388 says :

    Não sei se minha visão ocidental está estigmatizada, mas, se os próprios iranianos tem severas críticas sobre sua sociedade altamente repressiva e, ao meu ver, hipócrita, então como não deixar de manifestar minha indignação com o extremo absurdo que é o patriarcalismo muçulmano. Filme extremamente impactante, principalmente pra quem nunca teve muito contato com uma sociedade tão diferente.

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