Frankie e Johnny

Porque estamos na lua cheia e as noites são mais inspiradoras, fiquei a madrugada passada ouvindo músicas sobre a lua. E há sempre duas dessas canções que ouço insistentemente nas madrugadas lunares… Melodia Sentimental (música de Heitor Villa-Lobos e poema de Dora Vasconcelos, é parte integrante da obra A Floresta do Amazonas) e Clair de Lune (terceiro movimento da Suite Bergamasque por Claude Debussy, uma representação de piano de um poema de Paulo Verlaine).

Aí, que Clair de Lune me lembra sempre o filme Frankie e Johnny e da última vez que o assisti fiquei ouvindo a música sem parar o resto da semana. Sanidade? Não trabalhamos. Decidi resenhar/comentar sobre o filme, coisa que não faço já tem um tempinho (tempão, na verdade) e decidi finalmente refazer o layout do Pipoca Comentada e tirá-lo do ostracismo e aqui estamos.

Frankie e Johnny (1991) é um desses filmes aparentemente bobos que possuem uma riqueza de detalhes e que a história te pega. Pegou a mim, pelo menos. Primeiro porque a parceria de Michelle Pfeiffer e Al Pacino nesse filme só não supera a de Meryl Streep e Clint Eastwood em As Pontes de Madison, eles passeiam pelo filme e te levam junto. Segundo porque o diretor Garry Marshall, apesar de nenhum sucesso de crítica ou prêmio na carreira, já fez filmes muito conhecidos (bobos, mesmo) do grande público desses fáceis de “digerir”, como Uma Linda Mulher (Pretty Woman, 1990) e Noiva em Fuga (Runaway Bride, 1999), os dois com Julia Robers e Richard Gere e Diário de Uma Princesa (1 e 2) com Anne Hathaway e Julie Andrews. Meio decepcionante, né? Eu acho.

Porém, Marshall também dirigiu um filme que desconheço quem não goste ou não tenha se emocionado que é Simples Como Amar (The Other Sister, 1999) com Juliette Lewis e Diane Keaton. Ou seja, ele pode não ser um diretor extraordinário, mas dentro de sua medianice de vez em quando acerta. E acertou em cheio em Frankie e Johnny (trailer), disparado seu melhor filme.

Em Nova York, Johnny (Pacino) é um ex-presidiário que vai trabalhar como cozinheiro em uma lanchonete onde Frankie (Pfeiffer) trabalha como garçonete. Ele logo se interessa por ela que vai se esquivando de suas abordagens, sempre arredia e cética com namoros e envolvimentos. Mas ele não desiste até vencer suas resistências.

Nada de especial, né? Aí é que está. É um filme de pessoas reais, verossímeis. Ele transa antes com a colega de trabalho deles e amiga dela, ele brocha, ela se acha feia (como se fosse possível Michelle Pfeiffer se achar feia — aliás, esse é o único aspecto surreal do filme). A história gira em torno de pessoas pobres, solitárias, sem glamour algum. É tudo real, parece com a vida da maioria das pessoas. Há ainda o pano de fundo que é a violência contra a mulher — que é também o motivo que a faz ser tão reticente no envolvimento com ele — e mesmo assim o filme é de uma beleza, de uma delicadeza ímpar. Tem aquela cena clássica do beijo na traseira do caminhão de flores que se abre que é uma das mais lindas do cinema, apesar de muito brega. Todo romance precisa de uma frase marcante? Tem. Então, Johnny diz a Frankie: “Acho que já éramos um casal antes mesmo de nos conhecermos”.

O roteiro é baseado numa peça teatral e foi adaptado para a telona pelo próprio autor, Terrence McNally. O filme foi rodado no mesmo estúdio e época em que Jornada nas Estrelas VI – A Terra Desconhecida e a proximidade dos dois sets de filmagens fez com que Marshall organizasse uma brincadeira com Al Pacino. Quando Pacino chegou para gravar uma cena, abriu a porta do estúdio e tomou um susto dando de cara com o Capitão Kirk e Spock.

Frankie e Johnny não é um filme para estar na lista dos dez mais da vida de ninguém e nem transforma Marshall num diretor fenomenal, mas certamente encanta e emociona pela simplicidade e até pelo tom meio brega. Romance, 118 min. Baixe esse filme ou assista completo aqui, se você entende bem inglês (infelizmente não achei legendado).

Já ia esquecendo…

A cena final de Frankie e Johnny é ao som de Clair de Lune:

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3 responses to “Frankie e Johnny”

  1. Fernando Amaral says :

    O diálogo na cozinha e a flor feita de tomate, salsão e mais alguma coisa. Simples e bonito pracas. Bom retorno das pipocas!

    • nideoliveira71 says :

      A flor é de batata e colorida num corante (sei lá de quê), tem a cena dele mergulhando a flor branca espetada num garfo dentro de um vidro (o “mais alguma coisa é o garfo). Toda a beleza desse filme está justo na sua simplicidade. Beijo, Fernando, obrigada pela visita.🙂

  2. Valeria Araújo says :

    Vi esse filme essa semana no telecine touch.A Pipoca tirou palavras da minha boca.Um filme singelo,por isso belo.E ver Al Pacino romântico é um caso à parte.

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