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O filho da noiva

Aos 42 anos Rafael Belvedere (Ricardo Darín) está em crise e gasta todo seu tempo no gerenciamento do restaurante da família fundado por seu pai Nino (Héctor Alterio). Raramente visita sua mãe Norma (Norma Aleandro), que sofre do mal de Alzheimer e está perdendo a memória, e sua ex-mulher o acusa de não dar a devida atenção à filha Vicky (Gimena Nóbile). E ainda há Naty (Natalia Verbeke), a atual namorada que sempre exige atenção e comprometimento.
Em meio a todas as responsabilidades e cobranças Rafael sofre um ataque cardíaco, que o faz repensar toda a sua vida. É quando reencontra Juan Carlos (Eduardo Blanco), um amigo de infância, que o ajuda a reconstruir seu passado e ver o presente com outros olhos. Rafael ainda acompanha a história de seu pai, que ainda é absurdamente apaixonado e quer se casar na igreja com a esposa desmemoriada, quarenta após o casamento civil.
O diretor Juan José Campanella baseou o enredo na história real de seus pais, e o narra com limpidez e delicadeza, e usa todo o seu senso de oportunidade ao deixar claro que os personagens são alegorias do desalento por que passa a Argentina em 2001.
El Hijo de la Novia concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2002, e ganhou os Prêmios de Crítica e Público no Festival de Havana, Grande Prêmio do Júri e Melhor Filme Latino-americano em Montreal, os kikitos de Crítica, Júri Popular e Melhor Atriz para Norma Aleandro em Gramado e Júri Popular na Mostra BR de São Paulo.
É uma comédia dramática extremamente bem sucedida e bem dosada, fazendo rir e chorar num verdadeiro show de interpretação. O melhor do cinema argentino – da direção, fotografia, técnica aos atores – está nesse filme cativante, que fala do cotidiano e aproxima o espectador da história, criando laços com os personagens. Um dos mais belos filmes já produzidos na história do cinema. Para ver e rever muitas vezes. Drama, 124 min. Baixe esse filme.
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La Nana

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Ano passado, La Nana fez um certo sucesso durante o Festival Internacional do Rio. Trata-se de um digno exemplo do que a contemporaneidade pode fazer pelo cinema. Com uma câmera digital em punho e um argumento na cabeça, o diretor chileno Sebastián Silva conta uma simples e bonita história de amizade. Poucos atores, poucas locações, poucas frescuras e até mesmo, de vez em quando, pouca ação. Inclusive, isso pode incomodar alguns espectadores.
Catalina Saavedra (sobrenome nobre!) interpreta magistralmente a temperamental e esquisitona serviçal Raquel, uma empregada doméstica que serve a uma tradicional e abastada família chilena. Durante décadas, cegamente, ela abdica da própria família para cuidar dos patrões e seus filhos, anulando-se por completo. Em troca, tem o carinho de todos, mas continua sempre a ser uma empregada uniformizada. Já com problemas de saúde, ela não aceita que outra pessoa a ajude nas tarefas de casa. Toda a tentativa de cooperação é duramente rechaçada.
Há uma linguagem interessante em La Nana. A câmera é mais uma testemunha do que um ponto de referência narrativo. Ela espia tudo – inclusive os banhos da empregada, sublinhando um certo fetiche da classe média. Os diálogos são curtos e há bastante espaço para o improviso, pois o foco principal está no estudo do comportamento de quem cuida dos outros antes de cuidar de si mesmo. Drama, 95 minBaixe esse filme.
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A História Oficial

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No último ano da ditadura militar argentina, 1983, Alicia (Norma Aleandro) e seu marido Roberto (Héctor Alterio) vivem tranquilamente com sua filha adotiva, Gaby (Analia Castro), de cinco anos, em Buenos Aires. Alicia é professora de História e ignora por completo tanto a violência cometida pelos militares quanto o envolvimento de seu marido com a elite corrupta que sustenta e se beneficia do regime. Após o reencontro com uma velha amiga Ana (Chunchuna Villafañe), recém-chegada do exílio, Alicia começa a tomar conhecimento da crueldade do regime militar argentino, passando a questionar a chamada “História Oficial” ensinada por ela em sala de aula.
Entre os questionamentos de Alicia surgem dúvidas sobre os pais biológicos de Gaby, trazida recém-nascida para casa por Roberto. Ela inicia uma investigação que a leva a hospitais insalubres, à igreja frequentada pela família, onde se depara com o silêncio e omissão do padre e, finalmente, ao encontro com as Mães da Praça de Maio, onde se depara com a avó biológica de sua filha.
Filmado em 1985, logo após o final da ditadura, recebeu ao todo dezesseis prêmios. Desses, treze internacionais, incluindo Globo de Ouro e Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Prêmio do Júri e Melhor Atriz para Norma Aleandro no Festival de Cannes.
O diretor, Luis Puenzo (indicado a Melhor Diretor em Cannes e ao Oscar de Melhor Roteiro Original juntamente com Aída Bortnik), temia por sua segurança e pretendia filmar o longa em segredo, usando câmeras escondidas de 16 mm, mas o regime militar caiu pouco antes do roteiro ser concluído. O filme foi inteiramente rodado em Buenos Aires.
Destaque para a fotografia criativa de Felix Monti, que não envelheceu, e a trilha sonora envolvente de Atílio Stampone, com um tema que lembra, distantemente, um tango em contraposição a cantiga infantil de Maria Elena Walsh.
A História Oficial é um filme preciso, objetivo, cirúrgico. Nada é supérfluo, panfletário ou exagerado. Não há política explícita, não há cenas de torturas e nem militares fardados. Este é um roteiro feito para os atores, sustentado nas atuações espetaculares de Héctor Alterio e Norma Aleandro, os mesmos de O Filho da Noiva. Um filme real e emocionante.
A junta militar comandada pelo general Jorge Rafael Videla depôs a presidente Isabel Perón em 24 de março de 1976. Durante o governo militar, o parlamento foi dissolvido; sindicatos, partidos políticos e os governos das províncias foram banidos; e, naquilo que ficou conhecido como Guerra Suja, entre 9 e 30 mil “subversivos” desapareceram.
Como muitos artistas progressistas de seu país, a atriz Norma Aleandro foi obrigada a se exilar durante o regime militar. Primeiro foi para o Uruguai e mais tarde para a Espanha. Ela retornou logo após a queda do regime militar em 1983. Sobre sua personagem no filme, Norma Aleandro comentou que “a busca pessoal de Alícia é também a busca de minha nação pela verdade sobre nossa História. O filme é positivo no sentido de que demonstra que ela pode mudar sua vida apesar de tudo que vai perder”. Drama, 112 minBaixe esse filme.
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Disponibilizo abaixo todo o filme, sem legendas e em treze partes. Mesmo para quem não entende muito bem espanhol, não é difícil acompanhar a história:
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Nota: Recentemente o que parecia ser uma suposição, uma leitura ficcional da realidade argentina durante o regime militar, relatada nesse filme, parece ter se concretizado como fato real. A fundadora do movimento Avós da Praça de Maio acredita ter encontrado sua neta que fora adotada pelos donos do jornal Clarín após seus pais terem sido sequestrados pelos militares. Leia aqui sobre o caso.

Memórias do Subdesenvolvimento

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Mais que um filme, “Memórias do subdesenvolvimento” é quase uma crônica sobre a realidade de Cuba pós-Revolução e também sobre como um outrora membro da burguesia se ajusta a este novo mundo. Misturando com competência as linguagens de documentário e ficção, e acrescentando toques neorealistas e da Nouvelle Vague, Tomás Gutiérrez Alea dirige um filme original e autoral como poucos, que cresce a cada vez que se assiste.
Sergio Corrieri interpreta o personagem e o narrador central, norteando uma história em que um homem, de forma passiva, assiste a todas as mudanças e se sente a cada dia mais desanimado. Sua família toda tenta a vida nos EUA, mas ele permanece, em busca de um tempo perdido. O país não tem mais nada a ver com ele, e vice-versa. Mas ele não luta contra isso, apenas assiste a tudo resignado, nem sendo um outsider nem se adaptando de verdade à nova conjuntura. Ele tece uma visão crítica da revolução e do país (do tipo que jamais imaginaríamos ver em um filme soviético da época, por exemplo), mas não propõe soluções, ainda preso a um ideal europeu de vida que, no íntimo, sabe que não tem nada a ver com aquele povo tropical a que tenta ao máximo não pertencer.
O filme se divide bastante entre este relato na primeira pessoa de sua solitária vida em Havana (junto com algumas reminiscências de sua infância e adolescência, em que poderia ter tomado decisões que com certeza teriam mudado bastante a sua vida) com cenas documentais e fotografias de Cuba nos anos 60. Deve-se ressaltar que é fundamental que o espectador esteja minimamente familiarizado com este período histórico, para poder entender melhor o espírito da coisa…
Não chega a ser um filme difícil, mas também não é acessível a todos. A mudança constante na narrativa, assim como de linguagens e planos, desnorteia um pouco o espectador, tão acostumado a um cinema mais “certinho”, onde se entra no filme já sabendo mais ou menos o que se vai receber em troca. Igualmente, é um filme bastante reflexivo e pouco narrativo, o que por vezes é um pouco cansativo, mas no final das contas é muito recompensador. É daqueles filmes que praticamente exigem que o assistamos mais de uma vez, para podermos entender todas as suas nuances provenientes da rica direção de Alea.
“Memórias do subdesenvolvimento” é um claro retrato de sua época, não só por retratá-la com eficiência e espírito crítico, mas também por representar um cinema ousado, instigante, experimental e autoral, como era comum, em alguns círculos, nos anos 60. Tomás Gutiérrez Alea executou um trabalho de mestre nesse filme, finalmente disponível em DVD no Brasil. Diga-se de passagem, no DVD* tem uma faixa comentada de Walter Salles, Eduardo Coutinho e Nelson Pereira dos Santos que torna o filme ainda mais imperdível, fazendo a experiência ser uma dupla aula de cinema. Drama, 97 minBaixe esse filme
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Trecho do filme:
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* É essa versão do DVD que está disponível no link torrent para baixar

Whisky

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Durante quase cinco minutos, nenhuma palavra é pronunciada no filme uruguaio “Whisky” (Uruguai/Argentina, 2003). Alternadas com os créditos, apenas longas tomadas de um homem dirigindo um carro, em cenas filmadas de dentro do veículo. Nenhuma música, nenhum diálogo. É uma abertura sintomática e perfeita para um filme em que nada parece acontecer. A proposta dos jovens cineastas Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll é filmar a rotina. O resultado é um filme delicado, de simplicidade franciscana, que foge do melodrama como o diabo da cruz, e persegue obsessivamente um registro minimalista da banalidade do cotidiano.
É preciso registrar a coragem da dupla de diretores, que haviam feito apenas um longa-metragem antes, para transformar duas pessoas de meia-idade em protagonistas. “Whisky” não seria possível em Hollywood, onde pessoas com mais de 45 anos têm que se contentar com papéis de coadjuvantes. A opção estética dos dois para registrar as vidas banais de Jacobo (Andrés Pazos) e Marta (Mirella Pascual) é adequada. Quase nenhuma música, diálogos raros, câmera estática, longas tomadas silenciosas. A vida como ela é, para quem tem mais de 60 anos. Perfeito.
Jacobo possui uma minúscula fábrica de meias em Montevidéu, capital uruguaia. Marta chefia a produção, entregue a duas funcionárias mais jovens. Uma convivência de muitos anos, calcada em gratidão de parte a parte, e palavras não ditas. A rotina é sempre a mesma: Marta espera o patrão em frente ao portão de metal da fábrica, cuida dos detalhes da produção. Saem juntos à noite, cada um para um lado. Nenhuma intimidade. Fora do ambiente de trabalho, eles não existem. A rigor, não vivem; perambulam pela vida como dois fantasmas.
O elemento que abala as duas pacíficas existências chama-se Herman (Jorge Bolani), o irmão de Jacobo, que vive no Brasil e anuncia que vai passar alguns dias na casa do parente, por ocasião das cerimônias de passagem do aniversário da morte da mãe judia. Acontece que Jacobo tem vergonha da própria solidão e, por isso, pede a Marta que se passe por esposa dele durante a temporada do irmão no Uruguai. O resultado é que a convivência dos três vai, inevitavelmente, provocar mudanças nas existências que cada um deles levará dali para diante.
“Whisky” não é um drama convencional. Possui humor, mas uma espécie muito peculiar e sutil de humor. Ninguém vai gargalhar assistindo ao filme. Ao contrário do que o nome indica, também não tem toneladas de álcool – “Whisky” é a versão uruguaia para a expressão “cheese”, que a gente fala no Brasil (nos EUA também) para simular um sorriso na hora de tirar uma fotografia. A proposta dos cineastas consiste em acompanhar os três personagens a meia distância, sem invadir a intimidade de ninguém, mas com olho especial para as nuances, as mudanças no jeito de ser de cada um, a partir do contato pessoal. São conversas, encontros, pequenas descobertas que exercem mudanças aparentemente insignificantes, mas cruciais, nos personagens, todos construídos com detalhes saborosos.
Observe, por exemplo, a maneira carinhosa como Marta sempre se dirige ao patrão, mostrando preocupação com a persiana quebrada e levando uma xícara de chá sem que ele precise pedir. Não é amor, nem mesmo interesse, mas o jeito dela de demonstrar que gosta dele, que se importa com ele. Jacobo é mais um sujeito tomado pela inércia do que mal-humorado, embora a aparição de Herman, convenientemente “abrasileirado” (ele cumprimenta os outros com beijos e abraços, e não com frios apertos de mão), vá acentuar esse caráter irascível do irmão.
Como todo bom estudo de personagens, “Whisky” depende dos atores para funcionar, e eles correspondem na medida certa. Todos têm rostos comuns e entregam interpretações naturalistas, tímidas, tranqüilas e sem um pouco teatrais. A barba e o ar alheio de Andrés Pazos lhes dão o ar reservado fundamental para tornar Jacobo alguém de carne e osso. Jorge Bolani utiliza o figurino – casacos de couro preto – para ressaltar o caráter mais expansivo e alegre. Mas o filme é de Mirella Pascual. Tímida, hesitante, de olhos baixos, ela dá show quando é Marta quem está interpretando, pois não consegue se livrar da postura de empregada quando a situação pede. Ajuda, também, o fato de que é dela o personagem submetido a um arco dramático de maior intensidade.
Vencedor de três troféus em Gramado e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2004, “Whisky” é um raro filme uruguaio a aportar em terras brasileiras. Como documento de uma cultura estrangeira, mostra-se excelente. O retrato que emerge do Uruguai é de um país triste, decadente, habitado por gente velha, o que bate com a realidade – grande parte da população jovem do Uruguai migra para a Argentina e países vizinhos, como Herman fez na juventude, em busca de trabalho. Seu único senão é o ar de falsa espontaneidade construída pelo roteiro, destruída pela edição meticulosa (em excesso) que enfatiza as repetições dos eventos no cotidiano de Jacobo e Marta. Mesmo assim, é um belo filme. Drama, 95 min. Baixe esse filme.
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A Teta Assustada

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Este filme peruano, vencedor do Urso de Ouro de Melhor Filme em Berlim é um caso raro na cinematografia peruana, já que o país não tem tradição. Mas se você pensa que trata-se de um filme cômico ou esquisito, engana-se imensamente.
A Teta Assustada é um filme delicado, que fala sobre a doença homônima. Os índios creem que é trasmitida de mãe para filhos, através do leite materno, quando a gravidez é fruto de algum transtorno ou ato violento.
Fausta, fruto desse tipo de gestação, cresceu com medo de tudo e de todos, sempre arredia e com olhar cabisbaixo. Para se proteger dos maus tratos que a mãe sofreu, implanta uma batata na vagina.
Sua mãe morre e ela quer dar-lhe um enterro decente, ao invés de enterrá-la no quintal de casa, como sugere o seu tio.
Como Fausta não tem dinheiro, embalsama a mãe e sai à procura de emprego. Consegue um, na casa de uma senhora pianista.
O filme inicia-se com a mãe, já no leito de morte, cantando o estupro que sofreu, durante uma ação do grupo guerrilheiro comunista Sendero Luminoso, no Peru da década de 80. O ritmo é lento e os enquadramentos são chapados, com raros momentos de movimentação de câmera, o que explicita a intenção da diretora Claudia Llosa, de manter um certo distanciamento da protagonista. São enquadramentos duros, mas muito bonitos.
Senti um certa influência dos filmes iranianos, tanto na concepção estilística (árida, lenta e realista) quanto no desenvolvimento do roteiro, que parte de uma ideia simples, mas bastante original e cheia de simbolismo, poesia e delicadeza.
A protagonista é seca, mas percebemos o quanto ela sofre por não ser de fácil socialização, mas não perde a coragem nem desanima diante das atrocidades que a vida lhe reserva. Ela extravasa cantando suas lamúrias, que permeiam as melodias que inventa e que saem da sua boca de forma bela e natural. Mérito da atriz Magaly Solier, bela peruana, de traços exóticos que ganhou o kikito de melhor atriz, em Gramado.
Ouvi alguns comentários preconceituosos do tipo: “eu é que não vou assistir um filme com esse título bizarro, eca!”. Não se assustem com o título. Assistam o filme e garanto que farão um programa de muito bom gosto.
Drama, 95 min. Baixe esse filme.
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XXY

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Alex (Inés Efron) é uma adolescente de 15 anos que nasceu com os órgãos genitais de ambos os sexos e que toma remédios para inibir o surgimento de suas características masculinas. Seus pais, Kraken (Ricardo Darín) e Suli (Valeria Bertucelli) não conseguiram decidir pela cirurgia que corrigiria sua ambigüidade genital quando ainda era um bebê e se isolaram com a filha num vilarejo litorâneo do Uruguai. A atração sexual entre Alex e o filho adolescente de um casal que aparece para visitar a família, a confronta com a sua realidade e coloca em xeque a decisão de seus pais no passado.
A Síndrome de XXY, também conhecida como Síndrome de Klinefelter, atinge homens que têm um cromossomo X a mais – e que desenvolvem testículos menores e produzem menos testosterona na juventude, o que pode lhes dar aspecto feminino. Não é o caso da personagem do filme. O título parece mesmo ser uma provocação, um convite ao debate.
Ganhou o prêmio da crítica em Cannes e o Goya de melhor filme estrangeiro de língua espanhola. Foi escolhido para representar a Argentina ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2008, mas não chegou a ficar entre os indicados.
Esse é o primeiro filme da cineasta argentina Lucía Puenzo, filha de Luis Puenzo – diretor do premiado A História Oficial. Lucía aborda um tema bastante controverso e considerado tabu com extrema delicadeza e sensibilidade sem cair na armadilha piegas de apresentar uma solução para o problema. “Não queria falar de um diagnóstico preciso. O título do filme é uma metáfora da intersexualidade em geral. O meu trabalho não é um documentário, mas uma história de ficção.” – declarou a diretora.
Filme corajoso, quase cru na abordagem do tema sem ser grosseiro. Fotografia belíssima e um elenco espetacular. Mais um bom filme argentino. Drama, 86 min. Baixe esse filme.
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